Verão da Covid: todo sacrifício em vão? 

Verão da Covid: todo sacrifício em vão? 

Página na internet viraliza ao denunciar festas e aglomerações

Verão

Verão 2020/2021 preocupa devido às comemorações irresponsáveis na virada do ano. O Brasil passará por nova explosão de casos de Covid-19 a partir da segunda quinzena de janeiro. Ao denunciar festas e aglomerações irregulares durante o verão, que já é chamado de “Verão da Covid 2020/2021”, o perfil no Instagram, @BrasilFedeCovid, viralizou. No mesmo momento em que o segundo País do mundo em número de mortes ultrapassa a 200 mil óbitos por coronavírus, a página divulga cenas repulsivas por todo Brasil.

Essas aglomerações soam como insultos a quem respeita a vida e são ainda mais revoltantes porque ocorrem em cidades pequenas. No geral, são lugares turísticos, com população local vulnerável e sem capacidade de tratamento de saúde adequado e suficiente. Até mesmo aldeias indígenas são destino de férias para mimados e inconsequentes. 

Artistas, formadores de opinião, influenciadores digitais, políticos, jogadores de futebol, além de uma parcela da população, decidiram ignorar a letalidade e o risco da Covid-19, provocar aglomerações, pressão no sistema de saúde e, consequentemente, mortes. Esses têm sangue nas mãos.

Infelizmente, em situações extremas como uma pandemia, muitos sofrem com a atitude de poucos. O cansaço é evidente e a fadiga do isolamento social é inevitável. Afinal, são mais de nove meses de uma quarentena capenga, sem organização ou sequer solidariedade de quem deve cuidar do povo: o presidente da república.

Jair Bolsonaro diz que não consegue fazer nada e que o Brasil está quebrado. Ironicamente ou não, se ele realmente não fizesse nada, seria melhor. A questão é que o principal aliado do vírus é o presidente.

Com todo seu poder e influência, Bolsonaro opta por provocar aglomerações, inclusive na praia durante o ano novo. Repetidas declarações sem comprovação científica são feitas: debocha de mortos, ridiculariza quem tem medo, descredibiliza o uso de máscaras, vacinas ou qualquer arma legitimamente eficaz contra o vírus. Até mesmo um remédio sem recomendação é vendido como solução mágica para a população, entre tantos outros absurdos só no campo da ciência.

A briga política com o governador João Dória e a demora na aquisição de vacinas e seringas parecem ter chegado ao fim, pelo menos por hora. O Instituto Butantan anunciou a eficácia da CoronaVac, nesta quinta-feira, dia 07 de janeiro, o que provocou o governo federal a anunciar, na mesma data, que tem acordos de aquisição para todos imunizantes que forem aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive com o do Butantan.

A vacinação no estado de São Paulo deve começar no dia 25 de janeiro, conforme previsto. O Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, diz que, no melhor dos cenários, a imunização nacional começa até dia 20 do mesmo mês, porém não definiu data para tal. Resta observar se haverá mais um fracasso federal. Entretanto, não há certeza se terá vacina para todos, tampouco, quando serão disponibilizadas em massa para população. 

Até que a grande maioria dos 210 milhões de brasileiros seja vacinada, a pandemia não vai acabar, portanto, cuidados são necessários e devem ser reforçados. Tempos ruins ainda estão por vir, principalmente, no final de janeiro. A guerra contra a Covid-19 está longe de ser vencida pelo Brasil e as recentes batalhas já foram perdidas. Todos devem manter os cuidados e fortalecer um último esforço coletivo, ou os sacrifícios feitos até aqui serão desperdiçados.

 

Daniel Yazbek

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