Um imenso e silencioso jabuti

Imenso e silencioso jabuti
Foto: FNDE

Um imenso e silencioso jabuti.

Mais de uma vez, o articulista da Folha de S.Paulo, Elio Gaspari, mencionou o caso da tentativa de compra milionária de computadores, laptops e notebooks pelo ministério da Educação (MEC), através do polpudo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Uma joia da coroa, aliás, entregue, recentemente, aos veteranos do Centrão.

O edital 13/2019, lançado em agosto do ano passado, previa a licitação para a aquisição de nada menos que 1,3 milhão de hardwares, sob a bagatela de 3 bilhões de reais.

Além da quantidade fabulosa de equipamentos a serem adquiridos e o seu valor igualmente impressionante foram detectadas outras inconsistências: 355 escolas receberiam mais de um computador por aluno.

Por exemplo, numa escola do interior deste Estado, pelas contas, um aluno seria contemplado por cinco laptops. E outra: duas empresas que mandaram orçamento que continham o mesmo erro de português. E mais do que isso: ambas pertenciam à mesma família.

Nas palavras do próprio articulista: “Tratava-se de um imenso e silencioso jabuti”. Querido amigo mané, aprenda mais essa: o termo jabuti, na política brasiliense, refere-se a casos um tanto estranhos, tanto da forma quanto no conteúdo, que afetam diretamente o erário público.

“Jabuti não sobe em árvore”

Este termo surgiu por analogia ao ditado popular “jabuti não sobe em árvore” usado para expressar fatos que não acontecem de forma natural.

Bom, o fato é que tudo isso estava acontecendo enquanto o notório Abraham Weintraub (hoje “exilado” nos States) já assombravam o País com as suas performances digitais.

Neste ínterim entrou em cena a Controladoria Geral da República (CGR), cobrando as devidas explicações de uma licitação permeada de vícios. Aliás uma criação do presidente Lula da Silva, na primeira etapa de sua era.

O MEC deu tão somente uma resposta protocolar e a Controladoria produziu de 66 páginas sobre o caso. Resumo da ópera: o próprio governo cancelou o edital e a coisa ficou por isso mesmo, sem maiores comoções.

Agora, recentemente, o jornalista Gaspari deu nome ao boi, ou melhor ao jabuti. Quem presidia o FNDE na época da publicação do edital era o dr. Carlos Alberto Decotelli, aquele que foi sem nunca ter sido.

 

Rogério Itokazu
(Este artigo também está publicado no site www.deolhoembrasilia.com)

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