Saudades dos meus amigos

Bate papo com Roberto Casseb

Foto: Reprodução do filme “Boleiros”

Em tempos de pandemia que nos obriga a ficar em isolamento, a saudade de amigos é um fato que passa despercebido em dias normais. São quase três meses sem o café na padaria, sem os desabafos, sem uma palavra de ânimo e principalmente sem o papo animado sobre futebol e política.

Nesse momento o futebol está parado e a TV tem mostrado grandes jogos dos principais times do país e da Seleção Brasileira. É bom para levantar o astral porque parece que nunca fomos derrotados. Entretanto, faz parte do passado, e gostamos de novidades.

O que teríamos para conversar longamente é sobre política. Tenho o privilégio de ter uma extensa lista de amigos e amigas defensores e defensoras da Democracia. O que já é uma grande vantagem para o papo rolar em alto nível e chegar a um ponto de convergência satisfatório.

Por outro lado, essas minhas pesquisas virtuais me levam a decepções inacreditáveis. Pessoas que considerava cultas, humanas e defensoras da paz, justificando o uso de armas, concordando com discursos belicistas, negando a Covid-19 e protegendo esse governo que só traz ódio, confusão e desinformação.

Fico muito triste, porque são pessoas que considerava parte de minha história de vida e que se transformaram em fumaça. A grande maioria eu deletei das minhas redes sociais para não me decepcionar mais.

Não se trata de eu ser o sabichão e saber mais que os outros. Trata-se de termos o básico de humanidade para dialogarmos sobre uma pauta civilizatória.

Acredito que as centenas de fake news que surgiram na eleição presidencial e continuam até hoje, são fatores determinantes para alimentar uma desinformação crônica. Setores religiosos, como evangélicos, que através de pastores doutrinam e enganam descaradamente seus fiéis geralmente muito humildes, tendências da igreja católica mais conservadora, como os Arautos do Evangelho e Ópus Dei, que abrigam os “inimigos do Comunismo” e boa parte de grupos espíritas representados por Divaldo Franco, que reúne base na classe média individualista que defendem a doutrina, mas seguramente não compreendem sua essência. Esses fatores em boa parte podem explicar essa alienação de cerca de 30% da população.

Vou continuar me cuidando e refletindo sobre o que podemos esperar para o futuro. Essa pandemia deveria alertar as pessoas sobre o papel que representam nesse mundo. Muitos certamente já perceberam essa mudança e saberão valorizar fatos que passavam despercebidos. Outros continuarão a viver no consumismo, na futilidade e na individualidade mesquinha e reacionária.

Meus verdadeiros amigos entenderão.

 

Roberto Casseb

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