Quem muito fala pouco faz

Quem muito fala pouco faz

Quem muito fala pouco faz
Foto: Reprodução Flordelis em culto

“Quem muito fala pouco faz”, já dizia o ditado. Meus professores da faculdade que me perdoem, mas acredito que esse resume uma espécie de regra de ouro da vida.

Diferentemente do assunto da coluna passada, onde pouco se falava e muito acontecia com a menina de 10 anos estuprada pelo tio, hoje, vamos tratar sobre o caso da deputada federal Flordelis.

A notável biografia dela, que se conhecia até a morte do pastor Anderson do Carmo, era impecável. Uma mulher de origem humilde, da favela do Jacarezinho no Rio de Janeiro, que adotava crianças, pregava a palavra de Deus e fazia o bem. 

Que mal pode fazer, não é mesmo? Pois bem, é como diz o ditado título desta coluna. Flordelis é a principal suspeita de mandar matar seu marido (que antes havia sido filho adotivo e também foi seu genro). 

Como ninguém na Igreja achava estranho uma mãe casar com seu próprio filho? Não só casar com seu filho que havia namorado sua outra filha, mas como ninguém achava estranho uma pessoa adotar mais de 40 crianças? 

Os mais religiosos vão dizer “fazer o bem não importa a quem”, beleza, concordo. Mas tudo tem limite, fazer o bem é uma coisa, escravizar uma legião de crianças vulneráveis é outra. Isso não sou eu quem está dizendo, são os próprios filhos adotivos de Flordelis, do chamado segundo escalão.

Relatos mostram que ela nunca deu amor, nunca ajudou seus filhos e apenas os utilizou como plataforma política. Não vou nem entrar no mérito dos swings que ela participava, inclusive na noite do crime, pois a vida sexual de uma pessoa não me diz respeito. Entretanto, a Flordelis que todos conheciam fora de casa era puro marketing.

Posso te contar uma coisa?

Como tem gente assim nesse mundo. Utilizam um discurso em benefício próprio. Não entendem a luta, não fazem nada para melhorar a vida dos que representam e ainda assim saem com a fama.

Como uma pessoa cristã faz algo do tipo? Matar uma pessoa? “Ah, mas ela não era verdadeiramente cristã”, alguns dizem. Ela se diz cristã e foi símbolo cristão por anos, então vou tratar ela como cristã.

Afinal, tem um monte de gente que se diz tanto de alguma linha ideológica, seita, religião ou afins e prega justamente o contrário. Essas são as pessoas que fazem o discurso cair por terra, junto com suas máscaras.

Também não vou nem usar o exemplo família Bolsonaro que se diz contra corrupção mas já vimos que a corrupção é o modus operandi do clã, regada a chocolates, laranjas, apartamentos em Copacabana e carros.

Enfim, como estressa esse assunto. Estamos cansados de ver pessoas que se apropriam de um discurso, fazem o que fazem e deixam as pessoas que são representadas por eles à deriva.

O que tem de gente que se diz de esquerda e não entende minimamente qual o objetivo da luta libertária também, “Ave Maria”, dava pra colonizar todo sistema solar e ainda sobrava uns pra gente ter que combater.

Essas pessoas só atrapalham. Por isso, o conselho que fica nesta coluna é: Sempre duvide e suspeite de quem muito utiliza um discurso. O povo já cansou de palavras bonitas. Falta ação, trabalho e, principalmente, compromisso com o que se diz. 

“Quem muito fala pouco faz”. Fiquem atentos, normalmente, essa galera que enche o peito pra dizer “eu sou isso” ou “eu sou aquilo” é a personificação justamente do contrário que prega.

 

Daniel Yazbek

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