Fabrício Queiroz é preso em SP na casa de advogado da família Bolsonaro

Amigo do presidente e ex-assessor parlamentar de Flávio Bolsonaro foi encontrado em imóvel do advogado, Frederick Wassef, em Atibaia

Foto: Instagram

Fabrício Queiroz, ex-assessor e ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro é encontrado e preso em Atibaia, cidade do interior de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, dia 18 de junho.

O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro, através do desdobramento da investigação que apura esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no gabinete de Flávio Bolsonaro, deputado estadual à época. No esquema, segundo a investigação, funcionários devolviam parte do salário, e o dinheiro era lavado por meio de uma loja de chocolate e investimento em imóveis.

Queiroz foi encontrado escondido em um imóvel de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro, que na quarta-feira, dia 17 de junho, estava no Palácio do Planalto, na cerimônia de posse do ministro das Comunicações, Fábio Faria.

Em Brasília, na manhã de hoje, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada, residência oficial, em um comboio em alta velocidade, e não parou para falar com apoiadores, como é de rotina. O senador Flávio Bolsonaro disse, via rede social, que encara “com tranquilidade os acontecimentos de hoje” e que “mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro”.

Quando o caso Queiroz surgiu, ainda em 2018, o senador disse que “as pessoas que são suspeitas têm que ser investigadas”. No fim de maio, no entanto, classificou Queiroz como “cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que ele acredita”.

Foto: TV Globo

Após ser preso, o ex-assessor passou pelo Instituto Médico Legal (IML) e foi levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil, de onde saiu por volta das 9h50 para ser transferido para o Rio de Janeiro.

Em setembro de 2019, Wassef disse à jornalista Andreia Sadi que não sabia o paradeiro de Queiroz, e que não era seu advogado. Caseiro do imóvel, contudo, disse à polícia que o ex-assessor estava lá havia um ano.

Segundo delegado que participou da operação, portão teve de ser arrombado, bem como a porta da casa onde Queiroz estava. Ele não resistiu e mas disse que estava muito doente.

O Ministério Público do Rio de Janeiro pediu a prisão de Queiroz uma vez que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro continuava a cometer crimes, além de fugir e interferir na coleta de provas da investigação. A Justiça autorizou também a prisão da mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar.

Foto: TV Globo

No Rio de Janeiro, a Polícia Civil também fez buscas na casa de Alessandra Esteves Marins, membra da equipe de apoio do senador Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, Alessandra repassou cerca de R$ 19 mil a Queiroz.

Além de advogado de Flávio, Wassef defende o presidente Jair Bolsonaro no caso da facada de Adélio Bispo em Juiz de Fora (MG), durante a campanha eleitoral para a presidência da República, em 2018. Ele também atuou na defesa da família Bolsonaro no caso do porteiro.

Em entrevista à Rádio Gaúcha em 28 de abril, o advogado disse que está “no dia a dia” com a família presidencial: “Eu estou no dia a dia aqui com o presidente e com a família Bolsonaro. Eu conheço tudo que tramita na família Bolsonaro”.

Queiroz foi assessor e motorista de Flávio Bolsonaro até outubro de 2018, quando foi exonerado. O procedimento investigatório criminal do Ministério Público Estadual do RJ que apura as irregularidades envolvendo Queiroz na Alerj chegou a ser suspenso por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, após seguidos pedidos de Flávio Bolsonaro em 2019.

As investigações envolvem um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Alerj. Recursos usados para pagar funcionários na casa voltavam para os próprios deputados estaduais.

A movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz ocorreu, segundo investigações, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, incluindo depósitos e saques.

Da Redação

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