Polarização cristalizada

Polarização cristalizada

palacio do planalto
Foto: Anderson Riedel/PR

Já dizia aquele velho e calejado técnico de futebol: “treino é treino e jogo é jogo”. O mesmo se aplica às pesquisas de intenções de votos, que a partir de agora serão mais constantes. Como os próprios coordenadores dos institutos de pesquisa costumam alertar: “as pesquisas são o retrato de um momento. São um instantâneo”.

De fato, ainda estamos há mais de um ano das eleições gerais, e muita coisa ainda pode acontecer (ou não, como diria Caetano Veloso). Mas mesmo assim é sempre possível extrair algumas inferências desse quadro, ainda que momentâneo.  A mais recente pesquisa deste quesito foi divulgada na semana passada pela revista Exame. O levantamento foi realizado pelo quase desconhecido Instituo de Pesquisa Ideia.

Realizado entre os 19 e 22 de abril, com entrevistas de 1.200 pessoas, a pesquisa apurou que num eventual primeiro turno presidencial Lula teria 33% de votos e o Jair Bolsonaro 32%. Apesar de estarem empatados tecnicamente, é a primeira vez que a jararaca barbuda aparece numericamente a frente do presidente mito.

Lula da Silva também aparece na frente do atual presidente na simulação de segundo turno: 40% a 38% respectivamente. Ainda no primeiro turno os outros presidenciáveis aparecem bem mais atrás, a saber: Ciro Gomes, do PDT, com 9%, o apresentador Luciano Huck, com 6%, o governador paulista João Doria (PSDB), com 4%, João Amoêdo (Novo), e o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta (DEM), com 3% cada um e, finalmente, o também apresentador Danilo Gentile, com 2%.

Ou seja, esse pelotão “intermediário” soma 27%. Cerca de 5% dos entrevistados disseram que não sabem em quem votar e 4% dizem que não escolheria nenhuma dessas opções. Vale notar que esses porcentuais dos que não sabem ou não votam em nenhum é bastante baixo, há mais um ano da eleição. Isso demonstra que, com a volta do petista, a polarização se cristalizou de vez no quadro político-eleitoral.

Em termos de rejeição os dois principais pré-candidatos também estão praticamente empatados: 52% dos entrevistados não votariam de jeito nenhum em Lula, enquanto que 50% não querem mais ver Bolsonaro presidente.

Outro dado que chama a atenção nessa pesquisa é o desempenho dos dois na região Sudeste, a mais rica do país. Lula aparece na frente com 44% das intenções contra 32% do atual presidente. O petista continua na frente no Nordeste (44% e 30%). Já atual presidente lidera nas outras regiões do país: Sul (47% a 34%), Centro-Oeste (54% a 29%) e Norte (63% a 19%).

Mais uma possível inflexão a ser notada é o nível de aprovação ao atual governo que, na pesquisa, aferiu 25%, ou seja, um número bem menor dos 30% que habitualmente o presidente conseguia em levantamentos anteriores. O concreto já rachou?

Rogério Itokazu
(Esse artigo também publicado no site www.deolhoembrasilia.com)

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