Bolsonaro incentiva e pessoas invadem hospital

Invasores chutam portas de alas com pacientes de Covid-19 e depredam computadores

Foto: Paulo Emílio

O Hospital Ronaldo Gazolla, referência no tratamento da Covid-19 no Rio de Janeiro, foi invadido na sexta-feira, dia 12 de junho, por pelo menos seis pessoas. Ação ocorre um dia depois do presidente Jair Bolsonaro, durante tradicional live em redes sociais, incitar pessoas a irem aos hospitais fiscalizar leitos disponíveis para tratamento do novo coronavírus.

Segundo apurado pelo jornal O Globo, o grupo diz ser parente de um paciente que faleceu na unidade, vítima da doença, e se revoltou com a possibilidade de existir leitos vazios nos hospitais. Ainda de acordo com o jornal, o grupo gritava que tinha o direito de verificar os leitos para certificação de que estavam mesmo ocupados e, segundo relatos de fontes, também gritavam: “Mentira! Mentira”. Uma mulher integrante do grupo chutou portas, derrubou computadores e até tentou invadir leitos de pacientes internados.

O doutor Alex Telles, médico hospital e presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sindmed), relata que a invasão da unidade foi muito agressiva. “Com o discurso do presidente, de que é pra dar qualquer jeito para entrar em hospital, infelizmente a tendência é que as pessoas se sintam cada vez mais autorizadas a desrespeitar as normas. Nós estamos ali cuidando das pessoas, sobrecarregados e somos vítimas disso tudo”, declara o médico em entrevista ao jornal.

Foto: Estadão

A ação acontece um dia após Bolsonaro incentivar apoiadores a “dar um jeito” de entrar em hospitais e filmar leitos destinados aos pacientes de Covid-19. Segundo Bolsonaro, ninguém morre por falta de leitos de UTI no País e o número de mortes por coronavírus no Brasil é inflado para prejudicá-lo politicamente.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro afirma que a ocorrência foi um tumulto controlado pela ação de vigilantes, guardas municipais e integrantes da equipe assistencial. Segundo a secretaria o caso não pode ser considerado uma invasão porque as pessoas foram autorizadas a entrar na ala.

Entidades de saúde e governadores do Nordeste criticaram o presidente Jair Bolsonaro por incentivar a população a entrar em hospitais e filmar leitos de UTI. Eles chamam o presidente de “negacionista” por minimizar a pandemia do coronavírus e desconsiderar evidências científicas.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) diz em nota que o ataque “sistemático” do governo às instituições e servidores públicos e a “priorização escancarada dos interesses do mercado” é ainda mais cruel na pandemia. Segundo o conselho, o governo permanece com atitude genocida e se coloca como adversário da ciência. “Isso demonstra total desprezo pela vida da população”.

O Consórcio do Nordeste, composto pelos nove governadores da região, endereçam uma carta de retaliação a Bolsonaro. “Não é invadindo hospital e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”, diz em claro descontentamento com a ineficácia do governo federal no combate ao novo coronavírus, com a presunção de que todas compras realizadas por governadores neste período são fraudulentas e com as ações espetaculares realizadas pela Polícia Federal durante a pandemia, sem prévia oitiva e requisição de documentos.

O consórcio relembra que a lei n.º 13.979 deste ano dispensa a licitação em processos de urgência e que não há tempo a perder. “Estamos inteiramente à disposição para fornecer todos os processos administrativos para análise de qualquer órgão”.

 

Da Redação

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