Parque da Aclimação respira novos ares

Parque da Aclimação respira novos ares

Após anos de abandono e sucateamento, população constata mudança no cuidado

Foto: Estadão

Parque da Aclimação respira novos ares. Com a flexibilização da quarentena na Cidade de São Paulo, desde que a principal área pública de lazer da região reabriu as portas para população, uma mudança significativa foi percebida por frequentadores: o que, por anos, estava abandonado, hoje, está bem cuidado.

Frente à falta de preparo de antigas administrações e desinteresse promovido por membros do próprio Conselho Gestor, em mandatos anteriores, o clichê “trabalho de formiguinha” resume a questão. Ao menos nos últimos seis anos, pouco se fez e, agora, há trabalho acumulado para fazer. 

O jornal Notícias da Aclimação e Cambuci apresenta algumas melhorias já realizadas pela nova administradora, Tania Casseb, na iminência de completar seu primeiro ano de gestão.

Árvores condenadas

Um cálculo feito pela administração do Parque diz que a cada árvore podre que cai, outras três saudáveis são derrubadas pela mesma.

A flora do Parque da Aclimação é composta de espécies de árvores nativas da Mata Atlântica e também de Seringueiras e Eucaliptos. Estes trazidos há quase 130 anos pelo antigo proprietário, Carlos Botelho, ao final do século XIX.

Botelho, se inspirou na arquitetura e propósito de um jardim francês chamado de Jardin d’acclimatation, que visava contribuir com introdução e aclimatação de animais exóticos para fins agrícolas, comerciais ou de lazer. Assim, também foi feito no Jardim da Aclimação.

Contudo, árvores condenadas, como já apresentado, comprometem outras saudáveis, além de causar risco à saúde de frequentadores. Em sua maioria, correm risco de queda e podem atingir crianças, adultos, animais e, até mesmo, residências do outro lado da rua Sebastião Carneiro.

Assim, aconteceu na casa do ilustre morador do bairro e frequentador assíduo do Parque, o ator e diretor, Vicentini Gomez. Ele não poupa elogios ao trabalho de prevenção feito pela administradora e conta qual sua percepção.

Parque

“Nós tínhamos sempre uma luta inglória aqui, não só com a limpeza, mas também com as árvores podres eu moro em frente ao Parque. Eu falo com propriedade, porque, há alguns anos, uma árvore estrondosa caiu em cima da minha casa”, diz ele e agradece também pelo acompanhamento do caso realizado por este mesmo jornal à época. 

Plantios

A rotina de plantios voltou a ocorrer no Parque da Aclimação, algo que havia sido esquecido. Ao passo, que árvores condenadas são extraídas, novas mudas são plantadas. 

A administração recebeu algumas críticas à respeito das supressão dessas árvores, principalmente por parte de membros do Conselho Gestor. Na reunião do colegiado que ocorreu dia 15 de agosto, Tania questionou:

“Vocês reclamam tanto da supressão de Eucaliptos que não são espécies nativas, que têm risco de queda e podem derrubar árvores ainda saudáveis. Mas por que, quando eu assumi, existiam 38 mudas esquecidas no viveiro e não plantadas no Parque? Sendo que metade dessas mudas estavam mortas. Por que a administração da época não foi cobrada pelo Conselho Gestor anterior, que alguns que aqui estão faziam parte?”

Este fato indica, além do abandono sistemático promovido no passado, o interesse em não permitir melhorias que ocorrem no presente por parte de alguns representantes eleitos para colaborar com o Parque.

Vazamentos

A administração também descobriu que a conta de água do Parque está exorbitante já há alguns anos. As atas de reuniões do Conselho Gestor do último biênio comprovam que o assunto foi sequer conversado, as quais deveriam tratar das prioridades da área verde. 

O que se gastou de pagamento de água poderia ser destinado à manutenção, zeladoria e demais ações de cuidados. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) se comprometeu em fornecer os equipamentos necessários para encontrar todos vazamentos do Parque.

Parque

Parquinhos

Os parquinhos infantis tiveram as obras finalizadas durante a pandemia, porém não entregues, bem como as Academias para Terceira Idade. Ambos ainda não podem ser utilizados por conta das medidas de distanciamento social impostas pela situação.

Entretanto, pais e mães levam seus filhos ao Parque para que os pequenos tenham um momento de lazer e possam se divertir na medida do possível. Assim, foi com a vizinha, Adriana Araújo.

“Eu vim, porque ouvi dizer no bairro que ele estava reformado, melhor e mais conservado. Mas não foi bem isso que eu vi. Então, hoje eu vim para elas [suas filhas] tomarem um sol, brincarem… mas, assim, elas não têm nenhuma atividade para crianças”, declara Adriana.

Ela conta que normalmente frequenta o Parque das Bicicletas, pois lá é muito bem conservado, mas que o Parque da Aclimação está melhor. “Eu acho que melhorou da minha última visita, mas hoje eu já dei uma volta e eu acho que está bem razoável, não está da forma com que deveria estar. A grama está bem ‘judiadinha’, bem seca. O lago deu uma melhorada, mas não é aquela coisa, ele está verde, não é bonito aos olhos”, ressalta ela.

Parque

Manutenção

Um ponto de destaque entre os frequentadores foi a manutenção do Parque, que chama atenção pela mudança no trato com o bem público. Antigo morador do bairro, Haruo Furozawa, diz que frequentou muito outro parque mas parou de ir pois havia muitas bicicletas. 

À respeito do Parque da Aclimação, ele conta que muito lhe agrada o fato de ser um parque familiar e avalia positivamente a manutenção. “Reparei que tem aves que eu não tinha reparado em outros parques. Em termos do banheiro, ele é mais conservado que o outro parque que nós frequentávamos”, ressalta. 

Morador do bairro há mais de 50 anos, Edvaldo Gomes é frequentador fiel do Parque da Aclimação. Ele também concorda que os ares mudaram e o local está mais bem cuidado.

“Agora retornou com bastante melhorias. No geral parece estar melhor sim. Vejo a segurança que está aí direto, pessoal fazendo a limpeza… ali onde ficavam as carpas [laguinho japonês], o cara está fazendo uma limpeza lá que dificilmente alguém faria: ele limpou espaço por espaço entre as pedras, tirou todas folhagens, ficou muito legal”, elogia ele. 

Parque da Aclimação

Novos ares

Uma ideia em comum entre todos entrevistados é que o ambiente abandonado está fadado ao vício do abandono e, por sua vez, o local bem cuidado tende a continuar sendo bem cuidado. 

À exemplo de uma lixeira: quando o lixo está caindo para fora e com sujeira no entorno, as pessoas não ligam de sujar ainda mais, todavia, quando a lixeira está preservada, ninguém quer ser mal-educado em jogar lixo no chão.

Outro morador antigo do bairro, Emilio Veronese, frequenta o Parque há 58 anos e concorda com a necessidade da participação popular.

“Para você organizar e conscientizar as pessoas dá muito trabalho. Para manter uma linha de educação, de conduta, de bom convívio, demanda tempo, campanha. Agora, para degringolar e virar uma bagunça, é um minuto. Eu acho que se mantiver nesse pique que está, agora, depois que a Tania entrou, há grande possibilidade de entrar no eixo”, afirma ele.

Críticas são necessárias e bem-vindas, o Poder Público precisa saber onde errou para corrigir. O que é muito diferente de campanhas de injúria, calúnia e difamação com provocações baixas e infundadas em detrimento de um objetivo pessoal.

O Parque da Aclimação respira novos ares e precisa de união. Portanto, a construção de um lugar melhor depende de cada um fazer a sua parte.

 

Daniel Yazbek

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