Pandemia e mais Pandemia

Bate papo com Roberto Casseb

Foto: Tiago Ghizoni

Muita gente não se deu conta da gravidade do que está acontecendo no Brasil com a pandemia de Covid-19. O número de infectados, doentes e mortos é muito maior do que o informado. O Brasil está dando um show de incompetência e irresponsabilidade. Governo Federal, Estadual e Municipal, todos tem sua parcela de culpa. O Coronavírus virou pauta eleitoral, o que é muito triste.

Todo dia recebemos informações de pessoas próximas doentes e, em alguns casos, que faleceram. Tenho tido essa triste experiência. A primeira notícia devastadora aconteceu em 07 de abril com o falecimento de meu amigo de infância, João Alfredo Portes.

Nos conhecemos quando eu tinha seis anos e ele cinco anos de idade. Eu morava na Rua Senador Carlos Teixeira de Carvalho e, certo dia, decidi explorar a rua. Cerca de 40 metros subindo a via, encontrei uma pequena vila e entrei. Tinha crianças brincando, fui chegando e comecei a brincar com eles. Lembro-me do Rogério, Rita, Glorinha e Joãozinho. Fiquei encantado com a “vilinha”, uma rua sem saída que no fundo tinha uma árvore.

Não sei quanto tempo fiquei ali brincando até minha mãe aparecer desesperada com o meu sumiço. A partir desse dia a “Vilinha da Teixeira” virou meu quintal.

A amizade com o Joãozinho, Rogério, Clóvis, Julinho e todas as meninas se consolidaram. Foi uma infância bem legal. Jogávamos futebol, brincávamos de pega pega, esconde esconde, queimada… adorava tocar a campainha da casa do Seu João, que era na entrada da vila, e sair correndo.

Joãozinho se tornou um grande amigo. Minhas primeiras viagens, com nove anos, foram para o sítio do pai dele, Sr. Orlando, em Mairiporã. Quase todo final de semana íamos para lá. Vivemos muitas aventuras. Andávamos a cavalo, fugíamos de cobras e explorávamos todos os cantos das redondezas. Sua mãe, Dona Marina, e a irmã, Glorinha, às vezes iam ao sítio também.

Chegamos a montar um time de futebol, chamado “Academia”, e jogávamos na quadra do Parquinho, nos campinhos da Rua Anádia e atrás da Brasilwagem. O auge foi defendermos “Os Canarinhos” comandado pelo Seu Hélio. Bons tempos.

Estudos e trabalhos nos afastaram um pouco, mas sempre mantivemos contato. Ele se tornou Oficial de Justiça. Às vezes, nos encontrávamos no Tênis Clube Paulista (TCP) ou na Teixeira de Carvalho. Sempre obtive seu apoio quando me candidatei nas eleições. Era uma pessoa culta educada e um incansável lutador. A notícia de seu falecimento pela Covid-19 foi um duro golpe. Havíamos combinado de ir novamente ao Sítio. Muito triste.

Tenho total consciência dos perigos dessa pandemia e a certeza que a flexibilização levará à morte muita gente nas próximas semanas. Se tivéssemos um governo sério, muitas vidas seriam salvas. Infelizmente passamos pelo pior período de nossa história republicana. Vamos evitar sair de casa, sempre usar máscara, álcool gel, evitar aglomerações e quando chegar em casa deixar o calçado na porta.

 

Roberto Casseb

2 thoughts on “Pandemia e mais Pandemia

  1. Roberto, é muito triste perder um amigo de infância ou adolescência, muito mais quando por contágio de uma pandemia. Recentemente também perdi uma amiga, Lorenza Reverdini Binda, pelo Covid 19 com quem eu tinha uma amizade há mais de 55 anos.
    Meus sentimentos aos familiares e amigos do Joãozinho.

  2. Que lindo depoimento … Joãozinho, meu primo querido, também adorava brincar na vila … não sei se a Rita que você se referiu, sou eu, mas me essas lembranças são bem reais para mim.

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