Opinião: Guerra entre EUA x Irã pode acontecer?

Nas últimas 24 horas especialistas políticos, jornalistas e outros setores da sociedade em várias partes do mundo tem especulado sobre um conflito

Foto: AFP

Uma pergunta que tomou os noticiários, internet e conversas entre grupos de pessoas nesta sexta-feira (03/1) é se vai de fato haver uma guerra no Oriente Médio, inclusive como no caso do Brasil, questionamentos como se vamos participar, quem deve ir e porque. Mas para entender o problema e responder a pergunta do título, é preciso analisar melhor todo o contexto.

A República Islâmica do Irã foi fundada em 1979 quando na Revolução Islâmica, um novo sistema de Governo que segue o sistema Teocrático, mudou os costumes, sistema político e social do país, definindo um ponto de ruptura e criando dois períodos no século XX do Irã antes e depois da revolução.

O Irã atual segue a mesma linha de desde 1979 onde procura se colocar como o maior representante como nação do Islamismo no mundo e principalmente no Oriente Médio. O Governo segue uma linha de comando, mas tem sob o líder supremo o Aiatolá Ali Khamenei que desde 1989 comanda o Irã e inclusive se declara descendente do Profeta Maomé. Em sua liderança o Irã nas últimas duas décadas cresceu no cenário político e militar, conseguindo espaço e firmando alianças políticas e de certa forma rivalizando com a Arábia Saudita que é aliada dos Estados Unidos, o protagonismo no mundo islâmico.

Após este breve resumo, vamos a situação atual. O Irã em pelo menos todo 2019 causou atritos com os Estados Unidos e aliados, passando por apoio a grupos paramilitares em ações contra países ocidentais e contra Israel, Estado Judaico não reconhecido pelo regime Iraniano, ataques a navios petroleiros no Estreito de Ormuz, que gerou retaliações diplomáticas e ataques contra a frota de drones do país de Khamenei, o que desenvolveu uma escalada de tensões que culminou no dia 2 de Janeiro com um ataque preciso que matou o segundo homem mais importante do Irã, o Chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Qassem Soleimani, uma retaliação ao ataque a Embaixada Norte Americana em Bagdá, ocorrida no dia 31/12/2019, promovida pelo grupo Kataib Hezbollah que atua no Iraque, recebendo apoio do Regime Iraniano. Na invasão a Embaixada que ocorreu na área externa e alteraram fogo em áreas administrativas na embaixada. Apesar de não ter confronto armado, por ser um grupo reconhecidamente militarizado e ao entrar em um território soberano (uma embaixada seja de qualquer país que seja, é uma espécie de território estrangeiro e não pode ter sua soberania violada).

Foto: Meiobit.com

Após o ataque a Qassem Soleimani, o governo Iraniano prometeu uma retaliação/vingança com seus combatentes mais motivados contra o expansionismo americano e a Guerra Santa. Diante disto e com a manifestação de países como de China, Iraque, Reino Unido e Rússia, este último culpando o Estados Unidos pelo aumento das tensões na região e com Israel colocando nesta sexta as forças militares em alerta máximo, mas sem promover um pronunciamento oficial sobre o episódio. Já no Brasil muito se especula sobre um conflito armado, com discussões sobre a participação do país e um desenrolar possível do conflito.

Entretanto, se for analisar as forças militares de Irã e EUA, e evidente que um confronto armado em escala aberta o Irã sairá perdendo, por questões de quantidade, e poder de fogo. Mesmo com uma importante e moderna frota de drones e mísseis de cruzeiro que podem sim causar danos severos em navios, alvos militares ou cidades principalmente se for um ataque concentrado, é notado que a resposta não só dos Estados Unidos e seus aliados na região e da OTAN (Organização do Atlântico Norte) acabaria por causar muito mais danos ao Irã e seu governo, podendo até terminar em uma nova mudança de rumos no país. É notado que de fato o Irã vai sim retaliar os ataques e morte do militar, mas deve ser por meio do que já acontece. Com grupos milicianos que atuam na Síria, Palestina, Iraque e entre outros locais, com ataques a alvos ocidentais e soldados da coalizão Americana, como também possíveis ataques ou retenções de navios no Golfo de Omã como já citados acima que aconteceram no meio do ano passado, mas determinar um conflito armado é algo muito mais inclinado a histeria ou projeção mais radical, que algo racional. Evidente que pode sim nessa escalada de tensões um conflito armado acabar acontecendo, porém com o que ambos os lados tendem a perder em relação ao que podem ganhar, essa hipótese tem menor chance de acabar de concretizando.

Por: Willian Moreira

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