O espião que todos nós amávamos

O espião que todos nós amávamos

O espião
Foto: Reuters

O espião que todos nós amávamos. Certa vez o cineasta George Lucas admitiu que criou o personagem Indiana Jones inspirado nas aventuras do agente secreto 007, baseadas nos livro do inglês Ian Fleming.

Apesar das evidentes diferenças estéticas, esses dois ícones da sétima arte tinham em comum o gosto pela ação e o vício pela adrenalina. Tanto é que houve uma justa homenagem ao espião que todos nós amávamos ao escalar o escocês Sean Connery para fazer o pai do intrépido arqueólogo do terceiro filme da franquia “Indiana Jones e a última cruzada”.

Falecido no último dia 31 de outubro, dia de Halloween, Sean Connery foi o primeiro e mais emblemático James Bond da história do cinema. Atlético, bonito e charmoso, o espião de Sua Majestade, encarnou o arquetípico ideal do homem ocidental da segunda metade do século passado: implacável com os inimigos e irresistível para com as mulheres.

James Bond foi a salvação da lavoura da indústria cinematográfica na década de 1960. Com a concorrência da televisão e em franca decadência, o cinema de ação conseguiu se reinventar. Mas mesmo consagrado como galã mundial, Sean Connery também quis se reinventar ao abandonar o papel no início da década de 1970.

Quis se livrar do estigma de ser ator de apenas um tipo de personagem e de maneira obstinada procurou fazer outros gêneros: de dramas psicológicos, como “Até os deuses erram” até ficções científicas com “Zardoz”, passando por aventuras de época como “O homem
que queria ser rei”.

Mesmo assim revisitou o seu personagem mais famoso em 1983, ao fazer “Nunca mais outra vez”, uma produção semi-pirata da série. Por que? Porque os produtores lhe ofereceram um caminhão de dinheiro.

A sua redenção todavia só viria mais tarde com filmes como “O Nome da Rosa” e “Os Intocáveis”. No primeiro, ele fez o monge franciscano William de Baskerville que na alta Idade Média investiga terríveis assassinatos numa abadia medieval. Apesar da acertada escolha no papel principal, o filme, dirigido por Jean-Jacques Annaud, não fez jus ao famoso livro do italianoUmberco Eco.

Já com “Os intocáveis” foi diferente. A clássica história dos agentes federais que combatem Al Capone na Chicago dos anos 1920, ofereceu a tão esperada oportunidade de Connery deixar a sua marca indelével de ator de primeira grandeza.

Na pele do policial irlandês casca grossa Jimmy Malone, ofuscou a um só tempo o inodoro Kevin Costner (como Eliot Ness) e o grande Robert De Niro (como o poderoso chefão do crime organizado). Sean Connery, aos 90 anos, morreu dormindo na sua luxuosa propriedade nas Bahmas.

 

Rogério Itokazu

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