Menina de 10 anos estuprada pelo tio

Menina de 10 anos estuprada pelo tio

Menina de 10 anos estuprada
Foto: Freepik

Menina de 10 anos é estuprada pelo tio há pelo menos quatro anos, engravida, tem procedimento de interrupção da gravidez autorizado pela Justiça e sofre perseguições por fundamentalistas religiosos contra o aborto legal. 

O assunto da coluna de paternidade dessa semana não poderia ser outro. O caso que expôs a falta de humanidade brasileira nos mais diversos níveis. Precisamos falar de educação sexual – não, educação sexual não é ensinar sexo às crianças.

O fato é que um tio estupra sua sobrinha seguidas vezes por quatro anos. Uma criança de 10 anos foi violentada sexualmente, mas o que choca parte da sociedade é o aborto autorizado por lei que foi realizado.

A Justiça nem deveria ter levado o processo para análise, uma vez que no Brasil, uma das possibilidades de aborto legal é em caso de estupro, outra é quando a vida da mãe está em risco. Ambas categorias estavam caracterizadas no acontecido crime sexual contra uma menina de 10 anos.

Ainda assim, alguns médicos do Espírito Santo se recusaram a realizar o procedimento. E pior, depois que a extremista de direita vazou os dados da menina, um grupo de fanáticos religiosos foi à porta do hospital em Pernambuco para protestar contra o aborto legal e chamar a criança de “assassina”, além de todo ódio e rancor que essa menina experimentou nas redes sociais proferidos pelos “defensores da vida”. Qual vida?

O Brasil está perdido mesmo. Então, a pergunta que se faz é: a criança que foi violentada sexualmente e corre risco de morte é obrigada a ter esse filho com 10 anos de idade? Isso nem deveria ser objeto de discussão. A ideologia foi longe demais.

Educação sexual nada mais é do que educação. Não, não estamos ensinando nossas crianças a transar ou coisa do tipo. Apenas a se proteger e ter um canal de comunicação aberta com seus pais para reportar um eventual assédio. Entretanto, o assunto ainda é tabu no Brasil e facilita para o estuprador quando não se fala disso. 

Algumas dicas de como ensinar a se defender: 

Ensine sobre as partes íntimas. Primeiramente, seu filho precisa saber nomear cada parte de seu corpo e aprender que as partes íntimas não devem ser tocadas por estranhos, apenas por seus pais em situações específicas como na hora do banho.

Em seguida, quando for tirar a roupinha do seu filho, lavar as genitais ou algo do tipo, sempre peça licença e diga: “Licença, filho, mamãe/papai vai tira sua roupinha. Licença, filho, vou lavar aqui”, o corpo deles é deles e de mais ninguém.

Também, é fundamental que a criança saiba quais são os limites do seu corpo, para que ela compreenda que não deve ser tocada e também não deve tocar.  “Se alguém na creche, na escolinha, passar a mão aqui, você pode contar para mim. Isso não é certo, ninguém pode tocar no seu corpinho”, diga.

Ensine seu filho a dizer “não”. Uma das estratégias utilizadas por abusadores é o sistema de trocas, oferecem doces e brinquedos em troca de carinho. Faça com que a criança se sinta livre para lhe contar caso algo acontecer então. Muitas vezes abusadores pedem segredo sobre o abuso. 

“Sabia filha que nosso corpo é nosso e que ninguém pode ficar encostando na gente? Ninguém pode colocar a mão assim, assim. Só o papai/mamãe. Se alguém fizer isso com vc, vc pode contar para o papai/mamãe que o papai/mamãe vai te proteger”.

Fique atento aos sinais. Normalmente, crianças violentadas têm mudança de comportamento, por exemplo irritabilidade, pesadelos, introspecção, problemas escolares e outros. Portanto, ligue o alerta quando uma criança apresenta rejeição por um adulto. É importante dar voz às dores da criança e reforçar que você acredita no que ela diz. Ela precisa ter confiança em você para contar se algo acontecer.

É difícil, ainda mais no Brasil que vivemos, onde uma criança estuprada que realiza um processo de aborto legal é chamada de assassina por fanáticos religiosos “pró-vida”, como se gravidez na infância não matasse. Qual País nós queremos para nossos filhos?

Daniel Yazbek

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