Isolamento social acelera revolução tecnológica

Crise da Covid-19 força a necessidade de novos hábitos

Graças à doença altamente contagiosa e letal que assusta todo globo, as modernizações e inovações surgidas nas três últimas décadas mostram seu valor. A chamada Tecnologia da Informação (TI) consolida sua eficácia ao cumprir seu papel: facilitar a vida das pessoas.

Separados, cada um na sua casa, os indivíduos buscam alternativas no meio digital e robótico para lidar com o tédio, solidão e responsabilidades. Reuniões, aulas, palestras, consultas, até mesmo entrevistas e conversas casuais entre amigos, agora tudo é feito através de videochamadas e transmissões ao vivo nas redes sociais.

A revolução tecnológica é um processo que acontece desde o final dos anos 1950, acelerada em 2020 pelo isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus. Na era digital, uma marca da passagem do velho para novo é que o aprendizado é infinito e contínuo. Haja visto o esforço de pessoas com mais idade em aprender como utilizar um celular com aplicativos e demais plataformas e instrumentos do universo cibernético.

O doutor em Psicologia e psicanalista, Paulo Afonso Caruso Ronca, que normalmente atende seus pacientes no consultório na região do Paraíso, hoje trabalha pela tela do celular. Ele conta que teve de negociar preços com todos clientes para não perdê-los e que poucos largaram pela crise.

Para o psicólogo, realizar seu trabalho virtualmente não satisfaz. Ele critica o que chama de “sessões de terapia 3×4”, apelido de seu trabalho em razão do formato dos smartphones. “Não acredito que a chamada de vídeo vá substituir a singularidade das relações humanas”, acrescenta ele. “Pode ser também que, para o psicólogo que surgir nos próximos vinte anos, isso seja maravilhoso. Vai haver o momento de ultrapassagem. O que é uma incógnita, nós não sabemos o que vai acontecer”, analisa o doutor.

O analista de negócios de TI e morador da Vila Monumento, Ronaldo Casseb, que trabalha em função do desenvolvimento de sistemas tecnológicos conta que sua adaptação para o home office aconteceu naturalmente e que sua rotina pouco mudou. O técnico diz que cumpre sua jornada de trabalho mais focado, com menos conversa e ainda utiliza para si mesmo as horas do dia que passaria no deslocamento para empresa.

Casseb concorda que a tragédia global acelerou uma tendência informática e diz que empresas foram pegas desprevenidas e tiveram que correr para proporcionar o trabalho remoto de seus funcionários, coisas como banda larga, servidores, sistemas e computadores capazes de garantir a segurança da informação e do produto.

Ele diz que é possível que reuniões se tornem mais raras, em especial entre os mais jovens. “Talvez, para gerações futuras, vai soar estranho uma pessoa ter que ir a um determinado lugar, em uma determinada sala, fazer uma reunião, porque, com o recurso tecnológico de hoje, você faz a reunião onde estiver”, explica ele. 

Doutor Ronca explica que o isolamento social também potencializa o lado irracional das pessoas, uma vez que a lógica humana é contestada pela incapacidade em planejar o futuro, então a sensação de “não saber nada” e estar perdido. Também em seu recente artigo intitulado “A Saúde Mental e o Vírus”, ele defende que o coronavírus fere a História. “Assalta-nos, mexe em nossa identidade e nos faz adiar o futuro ou tremer diante dele. Não sabemos lidar com tragédias. Lógico! Todavia, temos a Inteligência e ela poderá nos dizer bem baixinho: ei, humano, não perca a esperança”, conclui ele.

Tamanha a dimensão dos fatos, a população tem a necessidade e a obrigação de repensar suas práticas e hábitos, que antes eram fundamentais e hoje estão em xeque. Não há como saber o que será do futuro, é importante discutir as mais diferentes perspectivas. Como disse o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, há um longo caminho pela frente e o mundo terá que estabelecer um “novo normal”.

 

Daniel Yazbek

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