Inverno infernal em Brasília

Inverno infernal

inverno infernal
Foto: Marcello Casal Jr/EBC

Até a namorada do neto mais novo do nosso amigo mané, proscrito dos pubs brasilienses, percebeu que o presidente Messias vive um dos seus piores momentos, senão o pior. Tudo começou há quase um mês quando ele tentou dar um cavalo de pau e exonerou o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, dentro de uma mini reforma ministerial.

Até hoje vossa excelência não explicou o motivo da troca, mas muitos apostam que ele (o presidente) queria não somente um chefe das forças armadas leal e disciplinado, como era de sobra o general dispensado, mas alguém que teria um alinhamento incondicional a todos os seus atos, até mesmo os mais inconfessáveis.

Além de Fernando Azevedo, Bolsonaro teve trocar também os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, que demonstraram solidariedade ao primeiro. Foi um desgaste desnecessário em um dos setores que é um dos pilares de sustentação de seu governo.

Logo na sequência o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou as condenações de Lula da Silva, tornando-o, por ora, elegível de novo, e embaralhando de vez o jogo político-eleitoral para o ano que vem. E como desgraça pouca é bobagem, o mesmo STF determinou que o Senado instalasse uma CPI para investigar as ações (e omissões) do governo federal no combate à pandemia da covid, desde que a mesma chegou por essas praias, há exato um ano.

Como se não bastasse o presidente tem que sancionar o Orçamento da União deste ano que, por força de tudo que tem acontecido no país e também por conta do chamado Teto de Gastos (uma verdadeira arapuca neoliberal), transformou-se numa verdadeira bomba relógio.

Caso o mito vete partes da peça orçamentária aprovada no Congresso Nacional, irá detonar uma crise política, desagradando principalmente deputados de Centrão que incluíram diversas emendas no projeto de lei. Caso aprove na sua integralidade há o risco, apontado por esses mesmos especialistas, do Executivo infringir irregularidades fiscais, dando a senha para a abertura para um possível processo de impeachment.

Ou seja, tudo indica que o presidente irá atravessar um inverno infernal, com chuvas, trovoadas e tornados de arrasar quarteirões. Mas a despeito desta previsão apocalíptica, o capitão tem boas possibilidades de sobreviver a tudo isso. Nunca se pode esquecer que o atual governo tem um índice de aprovação que nunca caiu dos 30%.

É um porcentual significativo de eleitores espantosamente fidelizada que está ao lado do presidente para o que der e vier. Até por uma questão de sobrevivência, o número um não poderá abandonar o seu discurso panfletário de negacionismo obtuso. Ele ficará até o fim governando para uma minoria.

Rogério Itokazu
(Esse artigo também publicado no site www.deolhoembrasilia.com)

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