Feliz aniversário, Rei

Feliz aniversário, Rei

Feliz aniversário, ReiFeliz aniversário, Rei! O maior jogador de futebol da história, Pelé, completa 80 anos de pura magia nesta sexta-feira, dia 23 de outubro. A data é comemorada ao redor de todo globo.

Mídia, amigos, celebridades, representantes políticos, amantes do esporte e quem mais preza por um jogo bem jogado está em festa pelas oito décadas de reinado deste que jamais será alcançado.

Talvez, algum jogador ainda iguale sua marca de 1.283 gols marcados profissionalmente ou, quem sabe, marque com apenas 17 anos na final da Copa do Mundo.

Pode ser também que alguém vença o Campeonato Brasileiro seis vezes (cinco consecutivas) e a Copa Libertadores e o Mundial de Clubes duas vezes seguidas ou, ainda, quebre seu recorde de três Copas conquistadas.

Tais feitos até correm risco de serem igualados, agora, o que faz dele o atleta do século não são apenas números extraordinários, dribles inventados ou jogadas incríveis. O Rei revolucionou a história do esporte mundial — e isso só se faz uma vez.

Pelé deu aula de futebol nos quatro cantos do mundo, reuniu milhões de pessoas nos cinco continentes, parou uma guerra, chegou a ter o rosto mais conhecido que a própria bandeira do Estados Unidos, onde popularizou o jogo e abriu portas para os contratos milionários que existem hoje. Além de, claro, ser símbolo mundial da luta antirracista.

Sim, Pelé não precisou dar depoimentos à favor da causa racial enquanto era jogador. O simples fato do Rei ser preto ensina pelo exemplo e mostra, inclusive para branquitude, o poder afro. Ao ocupar a condição de melhor jogador da história, do esporte mais popular do mundo, o jovem menino de Três Corações virou Rei, calou críticos e mostrou toda força de um povo.

Pelé pode até ter sido usado pela Ditadura Militar — como foi especialmente na Copa de 1970 — mas estava cumprindo com suas obrigações. Estudiosos, como professor José Florenzano, apontam que a atitude de anunciar sua aposentadoria do futebol brasileiro em 1973, véspera do Mundial, em plenos Anos de Chumbo, logo após a conquista do Tricampeonato, foi a forma que o Rei encontrou de não compactuar com as atrocidades cometidas no País — como quem diz “pra mim já deu”.

Nos anos 1990, Pelé em seu cargo político, como ministro dos Esportes de Fernando Henrique Cardoso, disse que pretos devem votar em pretos. Assim, não deixou dúvidas sobre suas posições.

O único erro de Edson Arantes do Nascimento — agora separado de Pelé, como ele mesmo pede que faça — foi não assumir sua filha Sandra. Isso mostra que todos têm defeitos e cometem erros. Diferente do que muitos pensam, ele não é um extraterrestre e, sim, um ser humano. Apesar deste episódio triste, é momento de comemorar. 

O Rei é nosso. O Brasil ainda é sim o País do Futebol e o mundo da bola está em festa pelos 80 anos deste que jamais será alcançado. Feliz aniversário, Rei. Obrigado!

 

Daniel Yazbek

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