Coluna do Nakamura: Falando de marketing no futebol

Neste texto vou falar sobre um dos temas mais importantes nos clubes de futebol: a gestão de marketing.

Embora possamos dizer que todas as atividades funcionais sejam importantes, certamente o marketing merece uma atenção especial, pois é a área com maior potencial de elevar as receitas de um clube, por formas tradicionais e por maneiras criativas e inovadoras.

Comecemos falando sobre os programas de sócio-torcedor.

Todos sabemos que a massa torcedora é a grande fonte de geração de receita de um clube. Naturalmente, clubes com maior torcida geram mais receita, a não ser que o desempenho em campo esteja muito ruim.

Os clubes deveriam mapear sua população de torcedores através do uso de métodos científicos de pesquisa. É muito interessante saber como os torcedores estão distribuídos em termos de faixa etária, classe social, gênero, localização geográfica e até mesmo ocupação profissional e hábitos de consumo. Conhecendo a massa torcedora no agregado e nas suas minúcias abrem-se inúmeras possibilidades de criação de produtos e organização de atividades que agradem aos diferentes segmentos e gerem oportunidades de monetização.

Vale dizer que não basta levantar uma grande massa de dados primários, mas tratá-los adequadamente fazendo uso das mais diferentes e sofisticadas ferramentas de análise de dados disponíveis hoje em dia. É preciso enxergar muito além daquilo que os nossos olhos permitem numa primeira vista.

Falando mais diretamente sobre os programas de sócio-torcedor, é preciso, em primeiro lugar, atrair o máximo de membros diante da massa de torcedores potencialmente inclinada a aderir a um desses programas. Não creio que basta fazer publicidade em diferentes meios de comunicação. É preciso ter uma ação mais específica e criativa, buscando atingir cada torcedor com mais emoção e assertividade ao mesmo tempo.

No Brasil, parece que a adesão aos programas de sócio-torcedor é muito dependente do desempenho do time dentro de campo. Os clubes precisariam tentar quebrar essa tendência, conscientizando o torcedor que ele tem que colaborar para que o clube sempre tenha uma receita de sócio-torcedor a mais estável possível. Uma comunicação persistente e bem elaborada pode ter resultados bastante favoráveis.

Da parte dos clubes, é importante que a diretoria transmita confiança e confiabilidade aos torcedores, sendo transparente e garantindo a adoção das melhores práticas possíveis de gestão. O torcedor tende a entender que mesmo que os resultados em campo não apareçam de imediato, se o trabalho é bem feito do ponto de vista da gestão, inevitavelmente eles acontecerão.

Outro ponto a destacar é a necessidade de criar programas que atendam diferentes perfis de torcedores e gerem benefícios concretos do ponto de vista de acesso facilitado na compra de ingressos, descontos proporcionais ao número de jogos que tem assistido, desconto nas compras com maior antecedência e vantagens de desconto e prazo na compra de produtos e serviços de empresas parceiras.

Além disso, diversos eventos podem ser organizados exclusivamente para sócios-torcedores com a presença de atletas e ídolos do passado. Da mesma forma, eventos e apresentações poderiam ser programados no estádio próprio e nas dependências dos centros de treinamento, aproximando mais ainda os torcedores do clube e aumentando sua identificação. É de bom grado que nessas visitas a centros de treinamento os torcedores possam ter contato com atletas, membros da comissão técnica e até mesmo membros da própria diretoria.

Sobre patrocínios, o marketing pode adotar diferentes estratégias, desde as mais simples e tradicionais até outras mais criativas e possivelmente com maior eficácia.

No plano tradicional, a estratégia de busca de patrocínio consiste simplesmente em “alugar” espaço nos uniformes e em outros espaços físicos que tenham visibilidade na mídia e em eventos esportivos.

Pensando mais fora da caixa, os clubes poderiam contribuir mais fortemente para desenvolver a imagem e a atratividade de produtos e serviços de determinadas empresas. Quais seriam essas empresas? Seriam justamente aquelas que desejam associar sua imagem com a imagem de clubes que vêm se notabilizando por um alto padrão de excelência de gestão e de desempenho esportivo. A ideia é que grandes marcas estarão interessadas em potencializar ainda mais as suas próprias marcas e a demanda por seus produtos unindo-se a marcas esportivas que carregam uma aura de sucesso, modernidade e grandes conquistas.

É preciso entender também porque grandes marcas internacionais não se interessam em patrocinar a camisa de clubes brasileiros. Talvez seja pela falta de melhor governança dos clubes e da própria CBF, talvez pela imagem não muito boa que o futebol brasileiro e sul-americano carregam lá fora, ou talvez ainda devido à própria imagem negativa do Brasil, por conta da política e da economia do país, sempre gerando notícias desfavoráveis na mídia internacional.

Sendo assim, talvez possamos acreditar que, no dia em que tivermos uma indústria de futebol mais bem regulada, organizada e profissionalizada, constituída predominantemente por clubes-empresa, e um quadro político, institucional e econômico do país mais favorável, haverá diversas marcas globais interessadas em associar suas marcas à imagem de nossos principais clubes, firmando contratos de patrocínio e parcerias bastante vantajosos.

Faltou falar de matchday, direitos de transmissão de jogos, engajamento e aumento da base de torcedores, rede de lojas e franquias, escolinhas, parcerias de negócio, internacionalização, redes sociais, mídias próprias, eSports e licenciamento de produtos, o que deixaremos para o próximo texto que escreveremos.


Por: Prof. Wilson Nakamura
Nosso colunista de esporte!
Acesse seu blog pessoal e veja mais conteúdos como esse: https://gestaodeclubesdefutebol.home.blog/

Deixe seu comentário :D

%d blogueiros gostam disto: