Como (não) foi o Carnaval 2021 no bairro

Como (não) foi o Carnaval 2021 no bairro

Cancelada neste ano por conta da pandemia, a folia em 2022 promete ser a maior e melhor de todos tempos

O Carnaval de 2021 foi diferente: foliões não foram às ruas e blocos não desfilaram pelas avenidas. O Sambódromo ficou vazio e a alegria deu espaço ao luto. Fantasias ficaram nos armários e os aventais e jalecos continuam sendo a roupa de quem se dedica diariamente no combate à uma doença que já matou quase 250 mil pessoas no Brasil.

A pandemia de Covid-19 roubou a cena de quem brilha em fevereiro: antes, carnavalescos e, agora, médicos e profissionais da área da saúde. Ainda mais, a vacina, que com a sua recente chegada e avanço, abre uma perspectiva de dias melhores no horizonte.

Nosso bairro é conhecido, entre tantas coisas, pelos tradicionais blocos de Carnaval e sua potência cultural. O jornal Notícias da Aclimação e Cambuci conversou com representantes dos cortejos para entender como foi este ano e qual a expectativa para a próxima folia.

O Bloco da Ressaca do Cambuci é o mais antigo do bairro e tradicional do fim de semana de pré-Carnaval. O presidente, Antonio Ferri, conhecido como Toninho, diz que muitas pessoas o procuraram para saber se haveria desfile neste ano, mas infelizmente estas terão que aguardar até 2022. “Esperamos que no ano que vem tudo se normalize. Vai dar tudo certo com essa vacina e o Carnaval vai estourar novamente”, afirma Toninho.

O segundo cortejo mais antigo da região é o Bloco Amoribunda que desfila no sábado de Carnaval. O idealizador do evento, Gilberto Castilho, diz que quem curte e vive a folia está sofrendo duplamente neste ano. “Primeiro, porque a gente faz aquela correria que acaba o ano novo e a gente já começa a pôr tudo em prática. E outra, é que nós gostamos de Carnaval, então sentimos muita falta. Fica aquele vazio, parece que está faltando alguma coisa pra começar o ano”, explica Gilberto. 

“Se Deus quiser, ano que vem a gente vai estar firme e forte lá na avenida Luis Sangirardi, trazendo alegria para população toda da Aclimação e Vila Mariana”, completa ele.

Por último, mas não menos importante, o caçula dos desfiles do bairro é o Bloco Tomo Junto, que fecha a avenida no pós-Carnaval. Para o mestre do cortejo, Pedro Anacleto, o Carnaval é o momento de extravasar e ser feliz, independente da situação.

“O Carnaval traz esse encanto, preparar a fantasia, a viagem, etc… o Carnaval foi entrando na casa das pessoas ao ponto de fazer quem nunca gostou de pular Carnaval se apaixonar depois do primeiro contato”, relata Pedro.

O mestre lembra que o Carnaval só deu uma pausa e está respirando em meio a lágrimas para voltar mais forte. “Contra o Carnaval não existe vacina. O vírus do Carnaval é contagiante, incurável. Quem foi contaminado vai ter sempre o Carnaval dentro de si. Ano que vem, teremos um Carnaval acumulado com juros e correções”, completa Pedro.

O Carnaval de 2022 será maior e melhor. Foliões voltarão às ruas, blocos, às avenidas, e escolas de samba, ao Sambódromo. O povo vai voltar a sorrir e a vacina vai devolver a alegria a cada um de nós. Fantasias serão mais brilhantes e inovadoras do que nunca e máscaras serão apenas uma lembrança de um tempo ruim que ficou no passado. Para tanto, o combate Covid-19 e a vacinação de todas pessoas no Brasil devem ser levados a sério.

 

Daniel Yazbek

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