Bairro se esforça para evitar o colapso da saúde local

Hospitais podem ser vetores de transmissão da Covid-19

Foto: Daniel Yazbek

Profissionais de medicina do mundo inteiro pedem para que a população fique em casa se puder, uma vez que outros tratamentos também continuam. Equipamentos de saúde podem se tornar vetores de transmissão do novo coronavírus.

Assim, deve-se recorrer ao pronto-socorro por suspeita de contaminação do novo coronavírus apenas aqueles que sentem falta de ar. Por mais assustador que sejam os outros sintomas, como febre, mal-estar, cansaço e tosse, especialistas temem o colapso do sistema.

A recomendação do Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) é de ir ao hospital apenas aqueles com traços mais graves da doença, como dificuldade em respirar e febre à partir de 39ºC, para que assim não haja sobrecarga do sistema de saúde e outros atendimentos possam continuar de forma plena.

Como é o caso de Williane de Souza, bombeira civil que está grávida de 37 semanas. Ultimamente, ela tem que ir ao hospital Cruz Azul, na Av. Lins de Vasconcelos, uma vez a cada oito dias para realizar seu acompanhamento.

“Está é a quarta vez durante a pandemia que venho para tirar sangue, consulta pré-natal, ultrassom, essas coisas. Venho porque tenho que vir, mas é desse jeito, com álcool em gel na bolsa toda hora, usando máscara, tentando manter distância e com medo também, porque daqui há duas semanas, minha bebê já nasce. Não tem muito o que eu fazer, tenho que saber lidar com o medo mesmo”, explica ela.

A bombeira conta que perdeu seu chefe recentemente para a Covid-19, um homem de 38 anos sem qualquer problema de saúde segundo ela. Diz também estar chocada com pessoas que minimizam a dimensão do problema. “A gente só tem aquele choque quando perde alguém do nosso âmbito. Eu não consigo achar que isso é ‘mimimi’. Estou bastante assustada”, relata.

Ela concorda com as restrições de contato social e lamenta, por exemplo, que não receberá visitas na maternidade e o pai da criança não poderá acompanhar o parto.

O pastor baptista, Heraldo Medeiros, também vive o caso de tratamentos que não podem parar. Ele conta que foi também ao mesmo hospital como acompanhante de sua esposa em uma consulta de revisão com cardiologista, após uma cirurgia que ela foi submetida.

Heraldo relata que não sente medo de ir ao hospital, pois segue as devidas cautelas, como distanciamento social de um metro, vestir a máscara, usar álcool em gel, chegar em casa tirar a roupa, por para lavar, tomar banho, entre outras.

Ele ressalta a necessidade de obedecer às orientações das autoridades. “Infelizmente, tem pessoas que estão dando de ombros para esta pandemia. A coisa não é fácil. É um vírus terrível, pôs o mundo de quatro, o planeta de joelhos. As portas estão fechadas. Há o caos financeiro. Os homens estão perdidos, não se tem nada, não existe uma medicação ainda comprovada. A doença é desconhecida” enfatiza o senhor.

Até o momento desta publicação, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo tem 3.21 milhões casos confirmados e 228 mil mortos. O Brasil já passou a China, onde começou a disseminação do vírus, em número de óbitos e hoje atinge a marca de 6.276, entre mais de 79 mil contaminados.

Para parte da população do País, os números parecem não importar. A taxa de contaminação é a maior do mundo. Um estudo realizado pela Imperial College de Londres analisa 48 países. Segundo a instituição, cada pessoa contaminada no Brasil transmite o vírus para mais três. Sem contar a subnotificação que aponta para um número de 1,2 milhões de casos confirmados, dado a estimativa de um grupo de estudos da Universidade de São Paulo (USP).

O estado de São Paulo, considerado o epicentro da pandemia, possui algo em torno de um terço das estatísticas totais do País, são 2.247 mortes e mais de 26 mil casos confirmados, segundo o Governo, até a manhã de quinta-feira, dia 30 de abril. A capital, cidade mais populosa com mais de 12 milhões de habitantes, atinge o número de 16.638 casos confirmados, sendo 1.439 óbitos, até terça-feira, dia 28, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A Secretaria ainda não informou com exatidão quantos contaminados a região dos bairros Aclimação, Cambuci, Ipiranga e Vila Mariana possuem nesta semana.

Médicos e trabalhadores essenciais relatam angústia, ansiedade, medo e tensão, e pedem que quem puder fique em casa para que a saúde de todos seja preservada. Enquanto isso, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Cambuci continua com a campanha de vacinação contra a gripe, decorrente do vírus influenza, para pessoas com idade acima de 60 anos ou portadoras de doenças crônicas, em geral pertencentes ao grupo de risco da Covid-19.

A ação busca facilitar o diagnóstico do novo coronavírus para quem receber a vacina. A UBS também entrega kits para diabéticos e realiza um esquema drive-thru para facilitar o isolamento social mesmo com a campanha de imunização.

Para mais informações sobre a cidade e o bairro, entre em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, (11) 3397-2000, ou com a administração da UBS Cambuci, (11) 3276-6480.

 

Daniel Yazbek

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