Agroecologia e renda digna para o agricultor

Agroecologia e renda digna para o agricultor: o movimento farm-to-table

Agroecologia

Agroecologia e renda digna para o agricultor: o movimento farm-to-table. A crescente desigualdade em toda a economia global, alcança também o setor agroalimentar, onde talvez ela é até mais acentuada.

O aumento da crise econômica, social e ambiental tem levando um número crescente de teóricos sociais e ativistas a buscarem solução para a pobreza no campo.

Dentro deste contexto, surge o movimento farm-to-table, em tradução livre, “da fazenda para a mesa”. Mas o que tem por detrás desta expressão, qual o seu significado e propósito?

Essencialmente, trata-se de um movimento que defende que os alimentos deveriam sair da fazenda, sem passar por intermediários (comércio, mercado ou distribuidor) chegando diretamente na mesa do consumidor. Isto porque os estudos econômicos demonstram que a menor parte da receita da venda de produtos agrícolas fica com aquela que os produziu, sendo uma das razões da pobreza no campo.

É criação de uma espécie de ecossistema de consumo de produtos agrícolas onde a cadeia é encurtada com o objetivo do consumidor final estar mais próximo do produtor, gerando uma relação ganha-ganha para os dois. O consumidor tem acesso a produtos mais frescos e o produtor a uma parte maior da receita das vendas.

Agroecologia

De acordo com a pesquisa feita pela Basic para a Oxfam, a fatia do preço pago pelo consumidor final que chega aos agricultores é de apenas 4,4% para produtores que vendem a intermediários.

Além disso, as vantagens para o meio ambiente também são incontáveis, com diminuição do desperdício, menos poluição com o transporte e toda sua logística, resultando ainda, em uma alimentação saudável, com produtos agroecológicos.

Diante das infinitas discussões sobre alimentação que surgiram nos últimos tempos, comer passou a ser um ato político, e o consumidor consciente tem nas mãos, o poder de moldar a forma de distribuição das receitas geradas pela venda de produtos agrícolas.

Dessa forma, o sistema farm-to-table aumenta a segurança alimentar, indo além das necessidades de indivíduos e olhando para as necessidades da comunidade em geral, com foco em famílias de baixa renda com agricultura familiar, empoderando o agricultor local, criando proximidade.

Ademais, a criação de um sistema econômico agrícola mais justo seria capaz de reverter a tendência de êxodo rural, sobretudo dos mais jovens.

Em uma era de desigualdade global e intensificação das mudanças climáticas, o modelo agrícola atual se torna cada vez mais insustentável.

É preciso romper com a exploração econômica e com o aumento da desigualdade em cadeias de fornecimento dealimentos em supermercados.

Mesmo ciente de que não existe uma solução rápida ou mágica, é necessário que haja um esforço para reequilibrar o poder nas cadeias de produtos alimentares, com a ação de governos, pequenos agricultores, trabalhadores, e outros atores da indústria, que poderá assim, transformar milhares de vidas.

O consumidor é peça-chave nesse movimento ao decidir por adquirir produtos diretamente dos produtores agroecológicos.

 

1. C. Alliot et al. Distribution of Value
and Power in Food Value Chains. Pesquisa
feita pela Basic (https://lebasic.com/en/)
para a Oxfam

Deixe seu comentário :D

%d blogueiros gostam disto: