A farra do Orçamento

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A farra do Orçamento

Deu no “Estadão” do domingo passado: o governo federal criou uma espécie de Orçamento secreto (ou paralelo) no valor de R$ 3 bilhões destinado a contemplar deputados de sua base de apoio, basicamente políticos do Centrão.

Boa parte destes recursos foram destinados à compra, superfaturada, de tratores e máquina agrícolas. A própria reportagem, de autoria do jornalista Breno Pires, observa que é comum no interior do país fazerem a entrega desses equipamentos com direito a muita festa, pompa e cerimônia.

Esse Orçamento paralelo chama a atenção também porque quem determinou o encaminhamento dessa dinheirama total foram os deputados ao invés, no caso, do Ministério do Desenvolvimento Regional, que está no vértice desse esquema irregular.

O tucano Rogério Marinho (RN) é quem está à frente dessa pasta desde fevereiro do ano passado.

Além de deputados governistas, o ex-senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) também foi contemplado. Ele determinou a aplicação de 277 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal controlada por ele.

Já o deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO) foi contemplado com 8 milhões de reais, que foram gastos na compra de tratores pelo valor unitário de R$ 359 mil (ao passo que o valor normal é de R$ 100 mil).

Mas os felizardos deputados não destinaram recursos somente para os seus redutos eleitorais. Os deputados Ottaci Nascimento (RR) e Bosco Saraiva (AM), ambos do Solidariedade, encaminharam 4 milhões de reais para a cidade de Padre Bernardo, em Goiás. Ao que parece eles atenderam a um pedido do líder do partido, Lucas Vergílo (GO). Detalhe: pelas contas do próprio governo, R$ 2,8 milhões já seriam suficientes para a compra dos equipamentos agrícolas.

Vicentinho Junior (PL-TO) também foi contemplado com R$ 600 mil. Inicialmente negou ter feito pedido ao Condevasf, mas recuou quando a reportagem mostrou um ofício saído de seu próprio gabinete.

Até a atual secretária de Governo, deputada Flávia Arruda (PL-DF) fez pedido similar à estatal, num valor de R$ 5 milhões. Questionada ela mostrou ignorância: “Não me lembro. Condevasf?”.

Mas ao ler o documento, produzido no seu gabinete, saiu pela tangente: “É tanta coisa que a gente faz que não sei exatamente do que se trata”.

CPI da Covid

Já na sua primeira semana de funcionamento, a CPI do Senado que investiga as ações (e omissões) do governo mito no combate à pandemia, ficou muito evidente que desde o primeiro momento uma espécie de gabinete paralelo sempre agiu deliberadamente em contraponto ao que orientava o Ministério da Saúde, quando esta pasta estava sob a direção de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.

Se esse gabinete das sombras trata-se tão somente do chamado gabinete do ódio é algo que a Comissão terá que averiguar daqui pra frente.

Rogério Itokazu
(Esse artigo também publicado no site www.deolhoembrasilia.com)

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